Se em 2024 o corredor brasileiro típico já era mais plural do que o estereótipo do atleta de elite, em 2025 essa pluralidade se aprofundou. O estudo Por Dentro do Corre II traçou um retrato detalhado de quem hoje ocupa as ruas, os parques e as esteiras do país — e a resposta é: praticamente todo mundo.
A idade média caiu de 37 para 34 anos
Enquanto a maioria dos esportes envelhece junto com seus praticantes históricos, a corrida está rejuvenescendo. A idade média do corredor brasileiro caiu de 37 anos, em 2024, para 34 anos, em 2025. O grupo de 18 a 24 anos saltou de 12% para 20% da base de corredores — um aumento de 8 pontos percentuais em apenas um ano.
Os jovens não estão apenas entrando na corrida: estão se tornando um dos grupos que mais moldam suas tendências, da performance ao consumo de conteúdo nas redes.
Mulheres já são metade dos corredores
Em 2024, os homens eram 58% da base de corredores contra 42% de mulheres. Em 2025, esse equilíbrio quase se completou: 50% e 50%. Foram as mulheres que mais começaram a correr no último ano — 56% delas correm há menos de doze meses, contra 38% dos homens.
Elas também correm com mais frequência: 26% das mulheres treinam três vezes ou mais por semana, contra 20% dos homens. E, curiosamente, o segundo maior benefício que elas relatam da corrida — atrás de desenvolver hábitos saudáveis — é ter “um momento só seu”, à frente dos homens nesse quesito (53% contra 48%).
A insegurança nas ruas, porém, ainda pesa mais para elas: 32% das mulheres apontam a falta de segurança como maior dificuldade para correr, contra 25% dos homens — o que ajuda a explicar por que elas recorrem mais à esteira e à academia (38% contra 28% dos homens).
Classe C: os novos protagonistas
A corrida também se democratizou economicamente. A Classe C passou de 36% para 43% da base de corredores entre 2024 e 2025, enquanto a Classe B recuou de 49% para 40%. É o grupo, junto com os jovens, que mais “invadiu” grupos e assessorias de corrida no último ano — crescimento de 71% na participação desse público em atividades coletivas.
Uma expansão equilibrada em todo o país
Regionalmente, a distribuição de corredores segue proporcional à população brasileira, com leve crescimento nas regiões Norte e Centro-Oeste. Racialmente, o estudo também identificou uma expansão equilibrada: brancos caíram de 47% para 43% da base, enquanto pardos, pretos, amarelos e indígenas mantiveram ou ampliaram sua presença.
O retrato de uma nação, não de um nicho
Some tudo isso e o que emerge não é um subgrupo específico de “corredor ideal” — é um mosaico. Mais jovem, mais mulher, mais Classe C, espalhado por todas as regiões e etnias do país. A corrida brasileira de 2025 tem, definitivamente, a cara do Brasil.
Este artigo é parte da série Pace5 sobre a 2ª edição do estudo “Por Dentro do Corre”, uma colaboração entre Olympikus e Box1824.




