Se você acha que corrida é coisa de gente mais velha buscando qualidade de vida, o estudo Por Dentro do Corre II (Olympikus + Box1824) tem uma correção a fazer. O grupo de 18 a 24 anos foi o que mais cresceu entre os corredores brasileiros em 2025 — saltando de 12% para 20% da base, um avanço de 8 pontos percentuais em um único ano.
Do TikTok para o asfalto
Os jovens não chegaram sozinhos: chegaram junto com um novo jeito de consumir corrida. O consumo de conteúdo sobre corrida nas redes sociais é praticamente estável na base geral — 64% dos corredores consomem esse tipo de conteúdo — mas o TikTok não para de crescer entre eles: 39% dos jovens já usam a plataforma para conteúdo de corrida, contra 29% em 2024.
A combinação de TikTok e jovens está expandindo os horizontes de como a corrida é vivida e comunicada no Brasil — menos manual de treino, mais cultura, estética e comunidade.
Mais performance, menos social
Um dos achados mais interessantes é a mudança de expectativa desse público em relação aos grupos de corrida. Em 2024, a vantagem mais valorizada nos grupos era social — conhecer gente nova, fazer amigos. Em 2025, ganhar performance ganhou força entre os jovens: a resposta “melhorar minha performance” saltou de 19% para 33% entre eles.
Isso também aparece na adesão às assessorias esportivas: 33% dos jovens citam o acesso à estrutura física de treino como a principal vantagem de contratar uma assessoria — o maior índice entre todos os grupos etários.
Entrando em provas, buscando reconhecimento
A presença de jovens em provas de corrida saltou de 17% para 27% entre 2024 e 2025 — um crescimento de 59%. Mesmo fazendo, em média, menos provas por ano que os veteranos, eles estão buscando distâncias maiores: 14,3 km em média, acima da média geral de 12,8 km.
O desejo de ser reconhecido como “uma pessoa que corre” também é mais forte entre eles: 39% concordam com essa frase, um dos maiores índices entre os recortes pesquisados.
A pressão que vem junto
Nem tudo nesse crescimento é isento de custo. Os jovens estão entre os grupos que mais sentem a pressão por resultados e insatisfação com a própria distância percorrida — reflexo de uma cultura de redes sociais que valoriza performance visível. É um lembrete de que o mesmo ambiente que atraiu essa geração para a corrida também pode pressioná-la demais, rápido demais.
Ainda assim, o saldo é positivo: mais jovens correndo é sinônimo de um esporte com futuro garantido — e com uma nova linguagem para contar essa história.
Este artigo é parte da série Pace5 sobre a 2ª edição do estudo “Por Dentro do Corre”, uma colaboração entre Olympikus e Box1824.




