Nenhum grupo cresceu tanto, em tão pouco tempo, quanto as mulheres na corrida. O estudo Por Dentro do Corre II (Olympikus + Box1824) mostra que, em apenas um ano, elas deixaram de ser 42% dos corredores brasileiros para se tornarem metade deles — um avanço de 8 pontos percentuais que nenhum outro recorte demográfico da pesquisa alcançou com essa velocidade.
As “calouras” de 2025
Mais da metade das mulheres corredoras — 56% — começou a correr há menos de um ano. Entre os homens, esse índice é de 38%. Um terço das mulheres, inclusive, deu os primeiros passos há menos de seis meses. Elas não estão apenas chegando: estão chegando rápido e em massa.
E não é só a chegada. A frequência também é maior: enquanto 74% dos homens correm uma vez por semana, esse índice cai para 68% entre as mulheres — sinal de que, proporcionalmente, mais mulheres treinam duas vezes ou mais.
Mais do que hábito saudável: um momento só seu
Desenvolver hábitos saudáveis lidera como motivação entre todos os corredores. Mas o segundo lugar do pódio pertence às mulheres com um benefício particular: ter um momento só seu. 53% delas apontam esse ganho, contra 48% dos homens — um dado que fala mais sobre rotina, cuidado e espaço pessoal do que sobre performance física.
A busca pela saúde mental também é puxada por elas: 37% das mulheres citam melhora na saúde mental como motivo para começar a correr, contra 30% dos homens.
O preço da insegurança
Nem tudo é avanço linear. A pesquisa é direta ao apontar que a falta de segurança — medo de roubo, assédio — é o maior dificultador da prática entre as mulheres: 32% delas citam esse obstáculo, contra 25% dos homens. Essa barreira ajuda a explicar por que elas recorrem mais à esteira e à academia (38% vs. 28% dos homens) como espaço de treino.
É um retrato duplo: mulheres cada vez mais presentes na corrida, mas ainda navegando por um ambiente urbano que nem sempre foi pensado para recebê-las com segurança.
Um movimento que segue crescendo
O crescimento feminino não fica restrito à base de corredoras casuais. Elas também aumentaram sua presença em provas — participação de mulheres em corridas subiu de 21% para 29% entre 2024 e 2025, um avanço de 38%. E, na hora da largada, a motivação que mais cresce entre elas é a vontade de se desafiar e se superar.
O corredor brasileiro, cada vez mais, tem rosto, ritmo e motivação de mulher.
Este artigo é parte da série Pace5 sobre a 2ª edição do estudo “Por Dentro do Corre”, uma colaboração entre Olympikus e Box1824.




