Correr sozinho ainda é a regra no Brasil — mas cada vez menos. O estudo Por Dentro do Corre II (Olympikus + Box1824) mostra que a participação em grupos de corrida (crews) e assessorias esportivas saltou de 24% para 32% dos corredores entre 2024 e 2025, um crescimento de 33% em apenas um ano.
Quem entrou nessa onda
Dois grupos lideram essa virada: jovens e Classe C. A participação de jovens em grupos ou assessorias saltou de 21% para 37% — crescimento de 76%. Entre a Classe C, o salto foi de 17% para 29%, alta de 71%. Nenhum outro recorte demográfico avançou tanto nesse quesito.
Os corredores ocasionais também dobraram sua presença em grupos e assessorias, de 16% para 32%. É um dado importante: mesmo treinando com menos frequência, esses espaços de convívio conseguem fidelizar quem corre menos dias por semana — um contrapeso interessante à sazonalidade da prática.
O que mudou na motivação para participar
Em 2024, a principal vantagem apontada para os grupos de corrida era leve e social: conhecer gente, criar vínculos. Em 2025, essa vantagem perde força, e uma perspectiva mais voltada para performance ganha espaço — puxada, principalmente, pelos jovens. Entre eles, a resposta “melhorar minha performance” saltou de 19% para 33%.
Ainda assim, o lado social não desapareceu: ele apenas migrou de perfil. São os novatos que mais buscam esse aspecto hoje — 32% deles valorizam conhecer pessoas novas nos grupos, contra 17% dos veteranos, e 27% valorizam conhecer lugares novos, contra 14% dos veteranos.
Assessorias como porta de entrada para o “mundo da corrida”
Já as assessorias esportivas cumprem um papel um pouco diferente. Acompanhamento profissional, estrutura de treino e motivação fazem o corredor se sentir parte do universo da corrida — e são especialmente valorizadas pelos jovens, com 33% deles apontando o acesso à estrutura física de treino como principal vantagem de contratar uma assessoria.
Comunidade como sustentação da prática
O que esse capítulo do estudo revela é que a corrida brasileira está deixando de ser só uma prática individual para se tornar, cada vez mais, uma experiência coletiva. Seja pela vantagem social que atrai o novato, seja pela busca por performance que engaja o jovem, os espaços de convívio da corrida — crews, assessorias, grupos de treino — se tornaram peça central da jornada de quem corre no Brasil.
Este artigo é parte da série Pace5 sobre a 2ª edição do estudo “Por Dentro do Corre”, uma colaboração entre Olympikus e Box1824.




