Todo veterano já foi novato. É essa a frase que resume um dos capítulos mais humanos do estudo Por Dentro do Corre II (Olympikus + Box1824), que dividiu os corredores brasileiros em dois grandes grupos: quem corre há menos de um ano (novatos) e quem corre há mais tempo (veteranos) — e encontrou diferenças reveladoras entre eles.
Quem são eles
Em 2025, 48% dos corredores brasileiros são novatos, correndo em média há 6 meses. Os outros 52% são veteranos, com uma média de 4 anos de estrada. É uma divisão quase equilibrada — sinal de que a corrida segue recebendo gente nova no mesmo ritmo em que forma seus praticantes de longa data.
Barreiras diferentes para cada fase
Falta de tempo e falta de segurança lideram como as maiores dificuldades para correr, mas o peso de cada barreira muda conforme a experiência. Os novatos sentem mais fortemente as dificuldades “internas” — 30% citam a rotina puxada como barreira, contra 21% dos veteranos, e 23% citam questões emocionais/motivacionais, contra 15% dos veteranos.
Já os veteranos sentem mais as limitações “externas”: falta de lugares e estrutura adequados para treinar aparece com mais força entre eles (23% contra 18% dos novatos).
A insatisfação é maior em quem está começando
Um dos dados mais contraintuitivos do estudo: apesar de os veteranos correrem distâncias maiores, são os novatos que relatam maior insatisfação com a distância percorrida — 43% deles se dizem insatisfeitos, contra 43% dos veteranos satisfeitos. A explicação está na comparação: quem começou há pouco tempo ainda está calibrando expectativas com o que vê ao redor, e isso pode gerar frustração precoce.
Motivações que mudam com o tempo
Perder ou manter peso é uma motivação mais relevante para os novatos (37%) do que para os veteranos (30%) na hora de continuar correndo. Já a frase “corrida é uma obrigação para eu me sentir saudável” tem concordância maior entre veteranos — 69%, contra 64% na média geral — mostrando como a saudabilidade se torna um compromisso mais arraigado com o tempo.
Ruas e academias: o ponto de encontro
Apesar das diferenças, novatos e veteranos dividem o espaço de treino quase igualmente. As ruas são o local mais usado por ambos os grupos (55% dos novatos e 58% dos veteranos), assim como os parques (32% e 34%, respectivamente). É nesses espaços que a experiência de quem corre há mais tempo encontra o frescor de quem está chegando.
O pacto que sustenta o crescimento
O estudo é categórico: o crescimento sustentável da corrida no Brasil depende exatamente dessa combinação — a experiência de quem corre há mais tempo com o frescor de quem chega agora. Um precisa do outro para que o esporte continue sendo, ao mesmo tempo, acolhedor para quem começa e desafiador para quem já trilhou seu caminho.
Este artigo é parte da série Pace5 sobre a 2ª edição do estudo “Por Dentro do Corre”, uma colaboração entre Olympikus e Box1824.




